
A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente o rosto, caracterizando-se por vermelhidão persistente, vasos sanguíneos dilatados, inchaço e, em alguns casos, lesões semelhantes à acne. Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as causas exatas ainda não são completamente compreendidas, mas acredita-se que fatores genéticos, ambientais e vasculares desempenham um papel importante em seu desenvolvimento.
A condição é mais comum em mulheres de pele clara, mas também pode afetar homens e outras tonalidades de pele. Os sintomas incluem sensação de queimação, coceira, ardência, sensibilidade excessiva e até formação de pústulas e nódulos.
Embora não tenha cura, a rosácea pode ser controlada com cuidados específicos e acompanhamento dermatológico. No entanto, um dos maiores desafios para quem convive com a doença é identificar os gatilhos que desencadeiam as crises ou agravam os sintomas.
“Em pacientes que têm rosácea, qualquer coisa que cause um processo inflamatório, até tomar sol em excesso e fazer uso de medicação mais forte, piora a rosácea e pode favorecer o surgimento de vasinhos na bochecha, da região do malar e do nariz”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
Por isso, conhecer os gatilhos e adotar estratégias para evitá-los é fundamental para reduzir a frequência e a intensidade das manifestações da rosácea. Veja a seguir!
1. Exposição solar
A exposição direta ao sol é um dos principais gatilhos para a rosácea, pois os raios ultravioletas provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e aumentam a inflamação da pele. Essa reação pode desencadear o surgimento de vermelhidão intensa e sensação de queimação, agravando significativamente os sintomas.
Para se proteger, utilize diariamente um protetor solar de amplo espectro (FPS 30 ou superior), mesmo em dias nublados, e reaplique a cada duas horas ou após transpiração intensa. Além disso, adote medidas de proteção física, como chapéus de aba larga, óculos escuros e roupas que cubram a pele, especialmente nos horários de pico (das 10h às 16h).
2. Temperaturas extremas
Temperaturas muito altas ou muito baixas também podem desencadear crises de rosácea, pois provocam variações bruscas na microcirculação da pele. O calor intenso pode causar dilatação dos vasos sanguíneos, enquanto o frio extremo pode ressecar e irritar a pele sensível.
Para evitar crises, mantenha a pele protegida contra variações de temperatura, utilizando cachecóis e hidratação reforçada no frio, além de evitar ambientes superaquecidos no verão. Busque ambientes climatizados e evite mudanças bruscas de temperatura.
3. Alimentos picantes
Comidas apimentadas e condimentadas aumentam a temperatura corporal e promovem a vasodilatação, resultando em vermelhidão intensa e sensação de queimação na pele. Pimentas, molhos fortes e temperos como curry e gengibre estão entre os maiores vilões. Para evitar crises, reduza o consumo desses alimentos e observe a reação da sua pele após ingeri-los.
4. Bebidas quentes
Café, chá e outras bebidas quentes podem agravar a rosácea, pois elevam a temperatura interna do corpo e promovem a dilatação dos vasos sanguíneos faciais. Isso resulta em vermelhidão acentuada e aumento da sensação de calor no rosto. Uma alternativa é consumir essas bebidas em temperaturas mornas ou frias, especialmente nos dias quentes ou quando os sintomas estão mais intensos.

5. Álcool
O álcool, principalmente o vinho tinto, é um conhecido gatilho para a rosácea devido ao seu efeito vasodilatador. O consumo de bebidas alcoólicas provoca o aumento da circulação sanguínea na face, resultando em rubor e sensação de calor intenso. Para evitar crises, modere ou evite o consumo de álcool, dando preferência a bebidas não alcoólicas ou com baixo teor alcoólico.
6. Estresse emocional
O estresse e a ansiedade são gatilhos significativos para muitas pessoas com rosácea, pois estimulam a liberação de hormônios que aumentam a inflamação e promovem o rubor facial. “O cortisol é o hormônio do estresse e está relacionado à potencialização do estado inflamatório persistente no tecido cutâneo”, afirma a Dra. Mônica Aribi, dermatologista e sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Técnicas de manejo do estresse, como meditação, respiração profunda e práticas de relaxamento, podem ajudar a reduzir as crises. Identificar as fontes de estresse e buscar apoio emocional também são passos importantes para o controle da doença.
7. Atividade física intensa
Exercícios vigorosos elevam a temperatura corporal e a circulação sanguínea, intensificando a vermelhidão facial. Para minimizar esse efeito, prefira atividades de menor impacto, como caminhadas leves e yoga, e mantenha-se hidratado durante os exercícios. Realizar pausas para resfriar o corpo e escolher ambientes frescos para a prática também são estratégias eficazes.
8. Produtos cosméticos inadequados
Certos produtos de cuidados com a pele contêm ingredientes agressivos, como álcool, fragrâncias e conservantes, que podem irritar a pele sensível e desencadear crises de rosácea. Opte por cosméticos suaves, hipoalergênicos e livres de substâncias irritantes. Antes de introduzir novos produtos na rotina, consulte um dermatologista e faça um teste em uma pequena área da pele para verificar possíveis reações.
9. Banhos quentes e saunas
O vapor e a água quente dilatam os vasos sanguíneos, provocando rubor e aumento da inflamação. Para evitar esse efeito, tome banhos mornos e mantenha o tempo de exposição ao calor o mais curto possível. Evitar saunas e ambientes muito quentes também é recomendável.
10. Certos medicamentos
Alguns medicamentos, como vasodilatadores e corticosteroides tópicos, podem desencadear ou agravar os sintomas da rosácea. Caso perceba piora com o uso de algum remédio, converse com seu médico sobre possíveis alternativas ou ajustes de dosagem.
Fonte: Jovem Pan Read More